PRÉ - VESTIBULAR PERIFERIA TARUMÃ - PETA
1. APRESENTAÇÃO
Este relatório apresenta um resumo do Projeto PRÉ-VESTIBULAR PERIFERIA TARUMA – PETA, realizado pelo Movimento Nacional de Luta Pela Educação – MONALE, no ano de 2009.
Projeto PRÉ-VESTIBULAR PERIFERIA TARUMA – PETA surgiu no ano de 2005, por iniciativa da Associação de Moradores do Parque São Pedro – AMAPREP, que tinha na presidência o Srº Antônio Fonseca. Nesta primeira experiência contamos com o apoio incondicional da Área Missionária Tarumã, coordenada à época pelo Pe. Geraldo Ferreira Bendaham e pela Profª. Msc. Márcia Maria de Oliveira – Mestre em Sociedade e Cultura na Amazônia/ UFAM – que contribuiu com a disciplina de língua estrangeira (Espanhol) e convidou outros professores para somar com o projeto. Esta iniciativa se desenvolvel nas dependências da Igreja Católica de São Pedro, Parque São Pedro – Tarumã, Zona Oeste da Cidade de Manaus, e contou com 45 (quarenta e cinco) inscritos. Por falta de estrutura, material humano e didático, o projeto durou apenas 3 (três) meses.
No ano de 2007, contamos mais uma vez, com o apoio da Área Missionária Taruma, Serviço de Ação, Reflexão e educação Social – SARES, das Irmãs de Sant’ana – Terezinha e Raquel, atuando na AMT e das Lojas Bemol que financiou as blusas. Buscamos novos parceiros e retomamos o projeto que foi acolhido pela Escola Municipal Nestor Nascimento, que proporcionou mais conforto aos 70 alunos inscritos e aos professores. Com muita dificuldade, principalmente na parte financeira, conseguimos chegar ao final do ano com o projeto.
Em 2009, além dos parceiros acima citados, obtivemos o grande apoio da RM Advocacia Previdenciária ( Renata Moço), escritório situado em Presidente Prudente/ SP, através da Irmã Fátima Marafon e da Srª Inês Marafon, que proporcionou a confecção de parte das blusas para os 63 alunos inscritos.
Ao longo de suas 3 edições o Projeto PRÉ-VESTIBULAR PERIFERIA TARUMA – PETA atendeu 178 (cento e setenta e oito) jovens, numa proposta de inclusão universitária para os que já concluíram o Ensino médio, não conseguiram aprovação no PSC e não dispõe de recursos para custear um cursinho particular. Estes são provenientes das 7 (sete) grandes comunidades que compõe o Bairro Tarumã.
Além do ingresso nas universidades públicas que é o principal objetivo, o Projeto quer incentivar os jovens a continuarem seus estudos, seja fazendo cursos profissionalizantes, seja cursando uma faculdade particular. Aproximadamente 40% dos jovens que participaram do Projeto PETA estão cursando o ensino superior, o que representa uma grande vitória para estes. As dificuldades foram diversas, mas, acreditando e contando sempre com a colaboração de pessoas e instituições que também cultivam o sonho de uma sociedade mais justa e de mais possibilidades, em particular aos jovens de nossa cidade, o Projeto aconteceu.
Queremos que os mesmos desenvolvam valores de cidadania, justiça social, preservação ambiental, saúde e direitos humanos.
2. CONTEXTO SOCIAL DO PROJETO
2.1. Histórias do Bairro Taruma
Por volta de 1657, o Tarumã foi o ponto inicial da colonização da cidade de Manaus. Conforme Mario Ypiranga, o local era habitado por índios Aruaque, quando chegou uma tropa de resgate que fincou uma cruz jesuítica e batizou o local com o nome de Missão do Tarumã.
Faziam parte dessa expedição frei Teodósio e Pedro da Costa Favela. Este apontado por historiadores como o mais famoso matador de índios da história do Amazonas.
O que se sabe é que esta tropa fundou o primeiro núcleo cristão no vale do rio Negro. Moacir de Andrade fala ainda de uma segunda tropa de resgate que voltou para continuar com a colonização e dar início à extração de drogas do sertão, rebatizando o local de Arraial do Tarumã. Este nome vem sendo usado ao longo dos séculos e faz referência ao rio Tarumã, que desemboca na margem esquerda do rio Negro.
Conforme alguns escritores, entre eles Moacir de Andrade, em "Manaus, Ruas, Fachadas e Varandas", e Mario Ypiranga Monteiro, em "Roteiro Histórico de Manaus", onde hoje é o bairro, foi o ponto inicial de colonização da cidade, no período áureo da borracha, foi designado a assistir o desenvolvimento da cidade ao seu redor, em detrimento de seu próprio progresso. A área compreendida pelo Tarumã fornecia pedras, areia, carvão e barro para auxiliar o surto de urbanização da cidade, enquanto suas belezas naturais iam sendo destruídas pela exploração desses recursos. A área formada por grandes sítios e fazendas acostumou-se a grandes explosões ocasionadas pelas empreiteiras, que utilizavam bombas para extração de pedras.
Para alguns moradores do local, a exploração desses recursos levou à destruição das belas cachoeiras que foram demolidas. A extração foi prejudicial e muitas vezes era um trabalho desumano, mas aquela atividade ajudava as pessoas a conseguirem o seu sustento.
2.2. Vocações para turismo
O Tarumã possui hoje infra-estrutura que facilitou o surgimento de muitos restaurantes ao longo da Avenida do Turismo, uma importante aliada do desenvolvimento local. Pois, além várias casas noturnas de rock, pagode, um centro de convenções, onde são realizadas festas de classe média, existem também, bares que atraem grande número de moradores de outros bairros.
O bairro do Tarumã possui diversos condomínios residenciais fechados, como Parque do Lago, Vitória, Vivenda do Pontal, Condomínio Mediterrâneo, Vivenda Verde, conhecido pelo balneário, Parque Náutico Bancrevea, Jardim Tarumãzinho entre outros.
Encontra-se em sua área o Aeroporto Internacional de Manaus Eduardo Gomes, o Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia), SIPAM (Sistema de Proteação da Amazônia), clube do Cetur, Previdenciário Clube e o cemitério Parque Tarumã, além de varias indústrias, e outras de plantas ornamentais.
A região do Tarumã apresenta um enorme contraste em relação aos condomínios fechados, característicos do bairro e longe da Avenida do Turismo. São grandes comunidades pobres, surgidas a partir das Ocupações Urbanas, com pequenos comércios, feiras e os problemas de ordem social – falta de escola, saneamento básico, transporte, alto índice de violência e trafico de entopercentes -, O Tarumã tenta sobreviver às transformações urbanas que levaram à degradação de seu único bem: a natureza exuberante.
A degradação ambiental destruiu grandes atrativos turísticos existentes no bairro, como as inúmeras cachoeiras, que proporcionaram diversão aos antigos moradores e freqüentadores dos balneários de outrora e, hoje, ou estão poluídos ou não existem mais. Como é o exemplo da Ponte da Bolívia, que fica próximo à barreira da Polícia Militar, da saída da cidade para BR-174 e AM-010. Ela servia de balneário para muitos moradores dos bairros próximos e de outras partes da cidade, porém, na década de 1990, o balneário foi desativado e decretado a proibição da entrada de pessoas nas águas poluídas.
2.3. Localização
Situado na Zona Oeste da cidade, o Tarumã possui 8.243.25 hectares de área, o que o torna o bairro com maior extensão territorial de Manaus, fazendo fronteira com Ponta Negra, Lírio do Vale, Planalto, Redenção, Bairro da Paz, Colônia Santo Antonio, Novo Israel, Colônia Terra Nova e Santa Etelvina e BR 174.
[1]Cresceu em apenas cinco (5) anos um núcleo de sete (7) ocupações urbanas - Jesus Me Deu, Parque São Pedro, Campos Sales, Rio Solimões, Pontal da Cachoeira e Riachuelo I e ll, comunidades riberinhas, onde residem aproximadamente 35.000 famílias
[2], constando, em media, com 30.000 jovens.
Estes são provenientes de famílias desprovidas de recursos, moradias precárias, desemprego, baixo salário que geram varias conseqüências, como, prostituição, gravidez precoce, criminalidade, dependência de álcool e drogas. A droga transforma-se em violência para jovens marginalizados, sem perspectivas profissionais em meio a famílias desintegradas e sem alternativa de cultura, educação e lazer.
O poder público se mostra omisso nesta região não garantindo ainda os direitos básicos de todo cidadão.
Em alguns lugares nem todas as ruas são asfaltadas e água potável ainda não chegou em todas as casas. As necessidades nesta área são diversas e destaca-se de maneira significativa aquela da educação. São poucas escolas, geralmente prédios alugados e pequenos, sem condições estruturais e que não atendem a demanda.
Nesta região há uma grande quantidade de jovens que já concluíram o ensino médio, mas que não conseguiram ingressar no ensino superior e, também não dispõe de condições para custear um cursinho particular. Daí a necessidade de um projeto alternativo para atender esta parcela de jovens que buscam dias melhores.
3. DETALHAMENTO DAS ATIVIDADES
O Projeto PRÉ VESTIBULAR PERIFERIA TARUMA – PETA teve inicío no dia 02 de Março de 2009, nas dependências da Escola Municipal Nestor Nascimento, localizada na Comunidade Parque São Pedro, Tarumã, em Manaus – Amazonas. Dos 63 (Sessenta e três) alunos inscritos, apenas 60 (Sessenta) compareceram ao primeiro dia de aula. Este primeiro encontro foi apenas informativo. Apresentamos o programa de aula, os professores e suas respectivas formações, além de algumas informações relativas às normas da Escola parceira.
As aulas aconteceram de segunda a sexta feiras, das 19:00h às 22:00h, aos sábados, das 15:00h às 17:00h, com a disciplina Física, em virtude da disponibilidade de horário do professor. Em concordância com os alunos, foi elaborado o “Viradão” aos domingos, sendo 2 (Duas) vezes por mês, das 08:00h às 11:00h.
A turma foi bastante mesclada. Há os que estavam no 3º ano do ensino médio e se preparando para ingressar na Universidade, há os que concluíram a pouco tempo e há os que estão à muito tempo sem freqüentar a sala de aula, como era o caso da Srª Francisca Campos, que estava há mais de 27 anos sem estudar. Isto mostra o quanto o PETA é importante para estas pessoas, uma vez que possibilita, na própria comunidade, a oportunidade de retomar os estudos com professores qualificados, e que colaboram com o movimento social do Amazonas.
Acreditamos que propostas alternativas como esta faz a diferença, uma vez que a grande maioria dos jovens da periferia, não só de Manaus, mas do nosso querido Brasil, não tem condições de custear um cursinho particular.
Mas, é importante ressaltar que Projeto PRÉ VESTIBULAR PERIFERIA TARUMA - PETA só é viável porque tem pessoas e instituições que acreditam numa sociedade mais justa e de mais possibilidades, e acreditam que o caminho da verdadeira transformação social é o caminho da educação, que tem como matéria prima, o conhecimento, o saber e o resulta diso tudo é uma liberdade consciente e uma sociedade de paz. Estas são os Professores, Pós Graduados e Mestres, que contribuem voluntariamente porque acreditam no potencial de cada um. A RM Advocacia Previdenciária, de Presidente Prudente/SP, através da Drª Renata Moço, que acreditou e patrocinou parte das blusas dos estudantes.
Área Missionária Tarumã, O Serviço de Ação, Reflexão e Educação Social (SARES); Transvimar, AMJAFRI, Escola Estadual Waldock Frick de Lyra, através do Diretor João Sages, que é um grande incentivador, Escola Municipal Nestor Nascimento, através da Diretora Marta Silva, que é apoiadora incondicional do projeto e muito sensível a questão da educação que desde 2007, se tornou parceira e cede a sala onde funciona o Projeto.
O desafio é grande e foi necessário a equipe estar cotidianamente injetando ânimo nessas pessoas que estão buscando um futuro melhor. A carga diária de trabalho contribuiu para que alguns deixassem o projeto no meio do caminho. Uma parcela considerável dos estudantes são pais e mães, que há muito deixaram os estudos. O Projeto foi concluído no tempo previsto. Toda a equipe está otimista e muito confiante no resultado final do exame do ENEM.
O Projeto PRÉ VESTIBULAR PERIFERIA TARUMA - PETA é resultado de um trabalho que vem se desenvolvendo desde 2005, que já mostrou resultados positivos. Como disse Paulo Freire “ não basta estar consciente, é preciso organizar-se para poder transformar”.
3.1. Anexos
- Glória Carvalho - Assistente Social c/ Especialização em Ética e Política pela UNICAP;
Geografia
- David Rosas Marques - Acadêmico de Pedagogia (UFAM);
Filosofia
- Edeney Barroso Salvador - Profº. Msc. Filosofia e Teologia;
Química/ Biologia
- Edivan Rodrigues – Químico Ambientalista /INPA, Acadêmico de Ciências Biológicas/UFAM, Acadêmico de Construção Civil com Habilitação em Edificações/IFAM.
Língua Portuguesa/ Literatura
- Amadeu Guedes – Filósofo, Pós-Graduado em Ética e Política pela UNICAP
Física
- Jarlison Alex dos Reis Maia – Engenharia Elétrica – Modalidade Eletrônica.
Relação de Alunos Inscritos
Michel Regis Gomes
Andréia Seabra Galeno
Dulciene Gomes Mesquita
Maria Neuismar Maia
Velber de Souza Araújo
Luzanira Soares de Moraes
Alan Ricardo Alves Maciel
Sharlene Alves Maciel
Francinilda Vieira Barbosa Maciel
Francimara Vieira Barbosa
Francinalda Vieira Barbosa
Fábio Campos de Menezes
Ângela Santana de Moraes
Ney Gilberson F de Souza
Rafael Campos Reis
Francisca Campos Reis
Sidney Mendonça da Silva
Dhyanyeire de Oliveira da Silva
Daiane Matos Neves
Denílson Matos da Silva
Gueide Costa de Souza
Elizeu de Souza Albuquerque
Rubéns de Araújo Lima
Romero Rotes de Magalhães
Roseneuda Carvalho Costa
Erivelton Nascimento dos Santos
Patrícia Araújo da Silva
Karine de Sousa Pantoja
Nilcilene Rodrigues da Silva
Maria Luciana Maia da Silva
Taiomara Corrêa da Conceição
Vilma Alves da Silva
Michely de Oliveira Feitosa
Antônio de Souza Braga
Rúbia Regina Pessoa Cruz
Márcia Campos de Meneses
Lidiany Cohen da Silva Marques
Leia Lima da Silva
Marcelo Gatto da Silva
Francelino Araújo Fonseca Junior
Zoraide de Souza Santos
Odri de Souza Santos
Souza Santos
Neize Nara Vasconcelos Gomes
Elquinéia Maria Marques Cleto
Bruno Marcelo Siqueira Araújo
Veraluce Paulino da Silva
Edinéia Pinheiro de Oliveira
Luílson da Rocha Ferreira
Elzilene Pinheiro de Oliveira Gomes
Carlos Alberto Souza Barbosa
Jackson dos Santos Ferreira
Anne Cartemare Ortiz
Maria dos Santos de Sousa Silva
Elaine Kizahy da Silva
Luiz Carlos Olurínob
Melissa Souza de Araújo
Núbia Carla c. de Souza
Marenilde Coceição da Silva
Elizabeth da Costa
Francirlei de Castro Lima
José Alberto Cordeiro
Dilma da Silva Chagas