quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

DA ESCOLA PRESÍDIO À ESCOLA LIBERDADE

Ivânia Vieira *

Durante visita à comunidade Parque São Pedro, no mês de novembro de 2009, uma turma de estudantes de Jornalismo, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), ouviu pela primeira vez a expressão escola-presídio. A referência atiça a curiosidade. Afinal, escola é o lugar clássico de aprender, ampliar a sociabilidade, avançar no conhecimento e compreender a liberdade, fazer dela um instrumento de conquistas, de vigilância contra todas as formas de aprisionamento.
Prisão como adjetivo de escola revela problema grave. Coloca em evidência uma denúncia sobre o espaço reservado às crianças e adolescentes estudantes e sobre o descaso dos governos. Em alguma medida revela também a distância das ações do movimento social ligado à educação e da própria sociedade as voltas com outras demandas, marcadamente posicionada pelo individualismo. Ou seja a lei vigente é “meus problemas são mais importantes do que os outros”.Os dilemas do Parque São Pedro, apenas para citar um item, o da Educação, são companheiros desde o primeiro momento de vida da comunidade e dos bairros vizinhos. São centenas de crianças fora da escola e outras tantas em escolas cuja feição não é de escola. Dito de outra forma, é esse o investimento público feito nessas vidas em pleno início de existência, precisando de proteção e de ações firmes, estratégicas para se tornarem cidadãs e cidadãos. São elas e eles a essência da continuidade, da chance real de escrever outro capítulo na história de Manaus e do Amazonas.
Por enquanto o lugar destinado a essas crianças, dentro do grande pacto, é o de segunda classe. Mas é em meio a esse cenário – da escola-presídio – que vem à mente a escola-liberdade e Rubem Alves contando a história de um bairro inteiro que virou escola a céu aberto. Eis, para aquelas e aqueles que se importam, uma boniteza de desafio.
* Ivânia Vieira é jornalista, professora da Universidade Federal do Amazonas e colaboradora do MONALE.

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